sexta-feira, 13 de março de 2009

Sobre aprender a amar

Havia uma garota, dona de uns olhos pequeninos como ela mesma. Ela estava acostumada a tomar com as mãos o mundo a sua volta, cercada de pessoas, sorrisos e principalmente, outras garotas.Ela gostava muito dessa vida, do cheiro do asfalto durante a madrugada, da mistura amarga de beijos, cigarro e álcool. Sentia-se bem em meio a noite turbulenta, mas não, ela não navegava em águas calmas.Personalidade forte, temperamento difícil e uma dor gigantesca a tomavam centímetro por centímetro e ela ia aos tropeços, bêbada, arrogante, cercada pelas mulheres que conquistava. Não achava difícil essa tarefa, olhava, olhava e na terceira olhada metade do caminho já havia sido percorrido.Mas não pensem que ela não era feliz, ahh... isso ela era. É provável que tenha nascido para esse tipo de vida, uma esécie controversa de fama anônima, havia se transformado em uma grande embarcação que sentia um estranho prazer em navegar por mares tempestuosos, onde o brilhantismo da mente e da capacidade do comandante pudessem se sobressair.
Em um desses mares a garota encontrou alguém, como milhares de outros alguéns, mas ao chegar ao fim não gostou de ser deixada, traída..Achava-se mesmo importante demais pra ser deixada de lado e enganada de forma tão torpe. Especialista em grandes contra ataques, ela derrubou o "inimigo", tempos mais tarde, atirando tão logo contra o orgulho desse adversário insolente, tirando-lhe o par..Esse par.. uma menina linda, dona de uns olhos castanhos muito escuros, uma boca em formato de coração e uma vontade enorme de acertar.Ela tinha medo de se deixar envolver pelas conhecidas artimanhas da intempestiva garota do início do texto, mas encontrava naquele par de olhos claros uma razão pra seguir em frente.
Elas aprenderam, degrau por degrau, as dores e o prazer da vida a dois [ou a duas, nesse caso], pode-se dizer que cresceram juntas.e a garota, a do início, foi se apaixonando todos os dias por aquele porto tranquilo, doce.Agora já não pensa em abandonar este porto.. é ali que fica o seu cais.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

O signo do Dragão

DRAGÃO
Animal mitológico símbolo da força, da coragem e da sabedoria.

Ela acordava todas as manhãs, cara amassada, cabelos para o alto, olhos sem querer abrir.Vestia-se para a escola, uniforme sempre mais largo que os das outras meninas, encarava o horizonte sem muita certeza e ia.

No primeiro passo, pequeno, aquela criança que não devia ter mais que uns 7 ou 8 anos era apontada por algum desconhecido pela rua. "Ela é estranha" era a mais delicada das frases que costumava ouvir. De fato, talvez fosse mesmo estranha, mas aquilo a incomodava. Algo dentro dela se revirava com isso.POrtão adentro era a mesma coisa e na volta também. Ela jogava futebol com os meninos e andava com a cara amarrada.

Mas quando a via.. tudo desaparecia. Os olhos de um castanho muito claro brilhavam e ali, de frente para ela, a menina dos olhos claros sentia-se muito bem. A outra a abraçava, sentava em seu colo e a pele da jovem "estranha" ia arrepiando. Enquanto a via, o sorriso, os olhos muito escuros, a pele morena bem clara, as formas do rosto...ia parando o tempo..

Ela sabia que era diferente de uma suposta maioria, só não entendia por que havia de ser estranha por isso. OUvia constantemente os comentários, as insinuações. Eles não cessavam com o tempo, mas ela deixava de prestar atenção com o passar dos dias. O que ouvia sobre ela influenciava menos num dia do que no anterior e assim em diante.

Acordou um dia e vestiu-se para a universidade.A miopia disfarçada em um par de lentes de contato, gel nos cabelos, cabeça erguida, cigarro [Carlton] na mão esquerda e na cabeça as lembranças de como chegara até ali.Abria sempre um sorriso, exposição sem medo de ideais, carinho com aqueles que a acompanhavam, lealdade aos amigos, uma segurança em si mesma, gentileza com os desconhecidos, curiosidade e vontade de aprender sobre tudo um pouco.Carregava consigo tudo o que precisava.Uma garota a olhou assim que passou pelos portões, mas não a apontou [embora alguns ainda fizessem isso], a garota a encarou e deixou por isso mesmo.Na sala encontrou novamente com a garota da entrada, era bonita demais a menina, e foi lá que ficaram se olhando.Era uma "estranha" aos olhos de uns e uma atraente menina aos olhos de outros. os dias em que passava ainda criança e adolescente pelas ruas e ouvia os comentários foram criando dentro dela uma certeza de quem era, do que queria, de seus objetivos.

Cresceu nela a personalidade forte, o temperamento difícil, a experiência no trato com as pessoas, a compreensão sobre inteligência e diversidade, a lealdade.Ás vezes ela pensa que isso contribuiu para uma certa atração que algumas pessoas sentem por ela. Isso a ajudou e ela agradeceu, silenciosamente por todos aqueles que um dia a apontaram e cochicharam enquanto ela passava, e àqueles que ainda fazem isso porque quanto mais fazem mais certeza ela tem de que aqueles que não fazem estão trabalhando para construir um lugar melhor para vivermos.O signo dela no horóscopo chinês? DRAGÃO.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Essa insônia só me faz falar besteira

Deixe-me chorar vá, dê-me ao menos isso enquanto a fumaça do meu Carlton vai pelo ar e a madrugada se esvai em mim. Eu naum saberia te explicar essa dor que me assaltou com seu retrato. Estaria mentindo se dissesse que naum sou feliz, mas me faz tanta falta o teu sorriso...assim de perto como nas lembranças...é, elas saum antigas, eu sei, mas ao fechar os olhos ainda posso ver o brilho dele.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O garoto, a porta e a decisão

A porta estava mesmo aberta, parecia que ele afinal havia reparado nisso... e saiu... daquele lugar frio e escuro, atravessando ainda tímido a porta minúscula que separa o armário e o resto do mundo. Ele estava inseguro, dava para ver nos olhos escuros dele, garoto certo, com a vida certa, mas e se estivesse errado? Decidiu, por fim, tentar. Não havia outra forma porque sentia aquilo latente dentro dele. O calor que lhe subia às faces e a carne trêmula, a mente se revolvendo em um turbilhão, o coração latejando dentro do peito... tudo isso não poderia ser assim tão ruim, não, não era possível. Era bom. Fora o medo, era bom sim, agora tinha a certeza.
Tanta gente vivia feliz, alegre por ser exatamente desta forma, então por que ele não podia também? E foi desta forma que ele se levantou daquele lugarzinho medíocre e escuro nos fundos do armário e foi em direção à porta. A mesma até a qual ele já havia andado outras vezes em sinal de que pensara em inúmeros momentos em ultrapassá-la, mas agora sim havia chegado a hora. Talvez a hora mais importante na vida de qualquer indivíduo que já tenha se encontrado um dia na mesma situação. A decisão fatal de se levar ou não a sério, de querer ou não tornar-se feliz e viver bem por si e não pelos outros.
E ele foi, tomou o destino em suas mãos, já adultas, e seguiu passo por passo até vencer o último centímetro que o separava do mundo fantástico ( como qualquer outro mundo no qual nos lancemos em busca de nós mesmos ) repleto de armadilhas, buracos, lombadas, curvas, mas acima de tudo recompensas para aqueles que vão até o final.
Se ele está feliz? Perguntem a ele... para encontrá-lo não é difícil, tentem procurá-lo pelas festas mais alegres, no meio de gente conversando, rindo, dançando, entre amigos... ele está nos mais diversos lugares... NÃO SÃO POUCOS OS QUE VENCERAM O MEDO E RESOLVERAM TRAÇAR O PRÓPRIO DESTINO.

sábado, 18 de outubro de 2008

L.A.P.A

Kct, kct...
L.A.PA = lugar em que todas as tribos se encontram... lá dá pra encontrar fácil roqueiros [muitos, por sinal]; playboys e patricinhas; alternativos, intelectuais e pseudo-intelectuais; funkeiros; pagodeiros; sambistas; turminha mais velha da MPB; turminha mais nova da MPB; héteros [em excesso, penso eu rs]; Gays [muitos também]... todos reunidos em um espaço amplo, nas portas dos bares, dentro das boates... algumas q são famosas desde a época de Cazuza, outros que pederam status no fim dos anos 90 e agora voltaram com força de lugares "vips" como o Circo Voador. Não importa é um berço de tolerância às diferenças, ainda que com alguns pontos obscuros, como não poderia deixar de ser.
O problema é a segurança. Krll, não tem como... em uma noite consegue-se [ou não] fugir de pelo menos uns 5 ou 6 assaltos... com a polícia a menos de 40m dos incidentes. É ridículo!
Quem não estiver atento, torna-se vítima fácil dos marginaizinhos que vivem por lá. E não venham me dizer que é preconceito, não é! Uma pessoa não pode ficar bêbada sem ter o celular roubado, e um casal não pode namorar em um gramado cheeeeeeeio de gente sem vir um pivete e passar-lhe a mão na mochila. Isso, ratificando, a uns 30 ou 40m das viaturas policiais.
Mas vale a pena ir, se não ficar bêbado, se estiver atento, em grupos grandes, ficar ao lado [porque se estiver a mais de uns 10m não surte efeito] de uma viatura policial, e clarooooo se não dirigir, caso beba.
Viva aos Arcos da Lapa, com ressalvas [rsrsrs]!!!

sábado, 11 de outubro de 2008

Cigarro faz mal... ao pensamento

Dei a primeira tragada, depois a segunda, na terceira eu era quase a fumaça, indo dispersa através da atmosfera, intoxicada por nicotina, monóxido de carbono, por você. Por todos aqueles seus trejeitos, cada gestozinho tímido, quase desengonçado, meigo, doce, indeguro. Um sorriso largo, imenso, como se quisesse te rasgar o rosto... eu via o mundo naquele contorno dos teus lábios.
Já tomada por uma insônia ridícula, meio adolescente um pensamento ia latente no tom muito escuro dos teus olhos... só ali nos vãos da minha memória.
Eu sempre meio perdida, me esbarrando com seus passos pela rua. É um caminho sem volta, eu sei disso. Aonde me perdi não há como voltar, mas lah há uma menina, a mesma que sentava na calçada esperando você voltar.
Após tanto esforço, tanta dedicação, dias e dias... cada lágrima, e naum foram poucas, tive que ver você partir e isso doeu. Foi uma mágoa, um desespero me sufocando por dentro e um sorriso estampado por fora.
Não sei, apaguei meu último Carlton com tanta força como se tentando também apagar você. Não deu certo...

domingo, 3 de agosto de 2008

A gente cresce

Puta que o pariu, a gente cresce! Sabe aquelas antigas preocupações? Aquelas com a nota vermelha na escola, com o que vai ganhar no Natal, com o próximo episódio de Cavaleiros do Zodíaco. E sabe também aquela felicidade de quando se ganhava uma notinha de R$5,00 do seu pai ou quando conseguia juntar R$30,oo em moedinhas? Aonde, por diabos, elas foram parar? Eu gostava delas. De repente você acorda, se olha no espelho e se vê 10 anos mais velho. Com a pressão da faculdade ou do trabalho estampada nas curvas do seu rosto. Você pode ser demitido, pode não se formar e nem arrumar um emprego, sua mulher está pedindo o divórcio, você está brigando com ela pela guarda dos seus filhos ou pior, você falta àquele jogo super importante de vôlei da sua filha caçula por causa de um projeto do trabalho que seu chefe não gostou e você teve que refazer, aí ela te olha com uns olhinhos tristes, decepcionados. Quer levar a sua namorada pra comemorar 5 anos de namoro e não tem 1 centavo. Ou simplesmente esquece que hoje é a tão importante data de 3 anos e 4 meses que vocês deram o primeiro beijo e ela diz "VOCÊ NÃO SE IMPORTA COM A GENTE. VOCÊ NÃO ME AMA MAIS?".
Agora me diz, por que que a gente cresce?
Talvez pra se esforçar tanto no trabalho e ganhar aquela promoção no fim do ano, pra se formar naquilo que você escolheu e ver seus pais na hora da colação de grau chorando horrores, orgulhosíssimos de você. Pode ser também pra ganhar um cartão feito pelo seu filho escrito "te amo" e vê-lo dormir tranquilo, despreocupado. Pra ver a sua namorada te fazer uma surpresa com aquela lingerie mega sensual, com cinta-liga e tudo. Pra ouví-la dizer que te ama antes de dormir e ao acordar você notar como ela fica linda descabelada e com a cara amassada.
A felicidade está na gente. A gente só precisa reparar.